118
O Perfil do Diplomata Angolano na Era Contemporânea: Desafios e Perspectivas
The Profile of the Angolan Diplomat in the Contemporary Era: Challenges and Prospects
El Perfil del Diplomático Angolano en la Era Contemporánea: Desafíos y Perspectivas
|
Juvenal Pelo Quicassa
1
Universidade de Belas, Angola
juvenalquicassa@gmail.com
|
1
Mestre em Relações Internacionais. Docente da Universidade de Belas
Resumo:
O
estudo
analisa
o
perfil
do
diplomata
angolano,
os
seus
desafios
e
perspectivas
na
era
contemporânea. Desde a independência de Angola, a diplomacia tem sido um instrumento fundamental
na
política
externa,
evoluindo
de
uma
abordagem
ideológica
para
uma
estratégia
pragmática
e
funcionalista. Influenciada pela Guerra Fria, a política externa angolana priorizava alianças estratégicas
para garantir estabilidade interna e reconhecimento internacional. Usamos a abordagem qualitativa para
alcançar as seguintes metas: i) descrever a génese da diplomacia angolana; ii) identificar as características e
competências
do
diplomata
angolano
e
iii)
reflectir
sobre
o
papel
de
Angola
diante
das
dinâmicas
económicas internacionais. A formação e qualificação dos diplomatas é outro aspecto central do estudo,
destacando a necessidade de um equilíbrio entre competência técnica e influência política. A diplomacia
digital
e
o
uso
de
novas
tecnologias
são
apontados
como
elementos
essenciais
para
a
modernização
diplomática, exigindo maior presença de Angola em plataformas digitais para fortalecer a sua projeção
global. A diplomacia económica, a inserção de Angola na Zona de Livre Comércio Continental Africana
e
a
necessidade
de
melhoria
do
ambiente
de
negócios
são
factores
críticos
que
fortalecem
a
competitividade
e
a
presença
internacional
do
país.
O
artigo
conclui
que
a
reforma
estrutural,
o
fortalecimento institucional e a adaptação às novas dinâmicas globais são essenciais para consolidar a
influência regional e internacional de Angola.
Palavras-chave: Diplomacia angolana, Política externa,
Formação diplomática.
Abstract: The study analyses the profile of the Angolan diplomat, their challenges and prospects in the
contemporary era. Since Angola’s independence, diplomacy has been a key instrument of foreign policy,
evolving from an ideological approach to a pragmatic and functionalist strategy. Influenced by the Cold
War, Angolan foreign policy prioritised strategic alliances to ensure internal stability and international
recognition. We have adopted a qualitative approach to achieve the following objectives: i) to describe the
origins of Angolan diplomacy; ii) to identify the characteristics and skills of the Angolan diplomat; and iii)
to
reflect
on
Angola’s
role
in
the
context
of
international
economic
dynamics.
The
training
and
qualifications
of
diplomats
is
another
central
aspect of
the
study,
highlighting
the
need
for
a
balance
between technical competence and political influence. Digital diplomacy and the use of new technologies
are identified as essential elements for diplomatic modernisation, requiring a greater Angolan presence on
digital platforms to strengthen the country’s global profile. Economic diplomacy, Angola’s integration into
the African Continental Free Trade Area and the need to improve the business environment are critical
factors that strengthen the country’s competitiveness and international presence. The article concludes that
structural
reform,
institutional
strengthening
and
adaptation
to
new
global
dynamics
are
essential
to
consolidating Angola’s regional and international influence.The article concludes that structural reform,
institutional strengthening, and adaptation to new global dynamics are essential for consolidating Angola's
regional and international influence.
Keywords: Angolan diplomacy Foreign policy
Diplomatic training
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Resumen:
El
estudio
analiza
el
perfil
del
diplomático
angoleño,
sus
retos
y
perspectivas
en
la
era
contemporánea. Desde la independencia de Angola, la diplomacia ha sido un instrumento fundamental
en la política
exterior, pasando de un enfoque ideológico a una estrategia pragmática y funcionalista.
Influenciada por la Guerra Fría, la política exterior angoleña daba prioridad a las alianzas estratégicas para
garantizar la estabilidad interna y el reconocimiento internacional. Utilizamos un enfoque cualitativo para
alcanzar los
siguientes
objetivos:
i) describir
los orígenes
de
la
diplomacia
angoleña; ii)
identificar
las
características y competencias del diplomático angoleño, y iii) reflexionar sobre el papel de Angola ante
las dinámicas económicas internacionales. La formación y la cualificación de los diplomáticos constituyen
otro aspecto central del estudio, en el que se destaca la necesidad de un equilibrio entre la competencia
técnica y la influencia política. La diplomacia digital y el uso de las nuevas tecnologías se señalan como
elementos esenciales para la modernización diplomática, lo que exige una mayor presencia de Angola en
las plataformas digitales para reforzar su proyección global. La diplomacia económica, la integración de
Angola
en
la
Zona
de
Libre
Comercio
Continental
Africana
y
la
necesidad
de
mejorar
el
entorno
empresarial son factores críticos que refuerzan la competitividad y la presencia internacional del país. El
artículo concluye que la reforma estructural, el fortalecimiento institucional y la adaptación a las nuevas
dinámicas globales son esenciales para consolidar la influencia regional e internacional de Angola.
Palabras clave: Diplomacia angoleña, Política exterior, Formación diplomática
Introdução
A
diplomacia
é
uma
das
ferramentas
essenciais
para
a
afirmação
do
Estado
no
cenário
internacional, sendo fundamental para a defesa dos interesses nacionais e para a construção de
relações bilaterais e multilaterais. No contexto angolano, a diplomacia tem desempenhado um
papel estratégico desde a independência, em 1975, influenciando não apenas as relações políticas
e económicas do país, mas também a sua projeção global. Assim, torna-se relevante analisar o
perfil
do
diplomata
angolano,
compreendendo
as
suas
competências,
os
seus
desafios
e
a
evolução da sua actuação ao longo do tempo.
Diante
de
um
cenário
internacional
em
constante
transformação,
marcado
por
disputas
geopolíticas, globalização económica e avanços tecnológicos, emergem algumas questões: quais
são as principais características que definem o diplomata angolano? Como a sua formação e a sua
experiência moldam a capacidade de representar Angola no exterior? Quais desafios enfrenta na
condução da política externa, especialmente no contexto de um mundo multipolar e digitalizado?
Adoptando uma abordagem qualitativa, centrada na revisão da literatura, o estudo busca alcançar
os seguintes objectivos: descrever a génese da diplomacia angolana, identificar as características e
competências do diplomata angolano e reflectir sobre o papel de Angola diante das dinâmicas
económicas internacionais.
O presente estudo justifica-se pela necessidade de compreender o diplomata angolano além da
esfera política. Afinal, em um mundo no qual a diplomacia não se restringe ao campo político,
mas se estende à economia, à segurança e à cultura, qual é o papel desse agente na promoção do
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desenvolvimento nacional? Até que ponto as novas tecnologias e as redes sociais influenciam a
sua actuação?
Este trabalho busca explorar tais questões, analisando não apenas a formação e a qualificação dos
diplomatas angolanos, mas também as exigências contemporâneas da carreira diplomática e as
perspectivas
para
o
futuro. Dessa
forma,
pretende-se contribuir
para
um
entendimento
mais
aprofundado sobre o papel desses agentes na construção da posição internacional de Angola.
A Diplomacia Angolana: Origens e evolução
A diplomacia angolana, ao servir como forma de projecção do Estado nas relações internacionais,
foi configurada dentro de uma realidade histórica intrincada e influenciada por factores coloniais,
ideológicos e geopolíticos.
Angola era uma colónia portuguesa e não podia ter relações exteriores directas, pois as suas
políticas eram ditadas pelo governo de Lisboa, que atendia às necessidades da metrópole. As
relações diplomáticas de Portugal com outros países, especialmente aqueles com interesses em
África, determinavam as interacções externas de Angola (Ferreira, 2017).
A diplomacia angolana, no entanto, começou a emergir durante a década de 1960, embora de
forma
fragmentada
entre
os
movimentos
nacionalistas
que
lutavam
pela
libertação.
Estes
actuavam no palco mundial, projectando a causa no exterior, ainda que com fraca articulação no
âmbito doméstico.
O MPLA, a FNLA e a UNITA buscaram intensamente o apoio estrangeiro para sustentar as suas
lutas políticas e militares, impulsionando uma diplomacia paralela junto de diferentes potências
internacionais. Assim, mesmo antes da independência, a diplomacia angolana já evidenciava a
ambição de se esquivar do cerco da Guerra Fria e do jogo de alianças entre os blocos ocidental e
socialista (Santos, 2019).
O reconhecimento internacional do governo angolano após a proclamação da independência, a
11 de Novembro de 1975, constituiu um dos primeiros desafios da diplomacia nacional, dado
que, a partir desse momento, o Estado passaria a agir como um actor plenamente dotado das
prerrogativas do Direito Internacional. O MPLA, liderado por Agostinho Neto, recebeu apoio
imediato da União Soviética e de Cuba, ao passo que os movimentos opositores — a FNLA e a
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UNITA — contavam com o suporte de países ocidentais, como os Estados Unidos, e de potências
regionais, como a África do Sul (Carvalho, 2020).
Esse
cenário
inicial
condicionou
a
orientação
diplomática
angolana
nos
primeiros
anos
pós-
independência,
tornando-a
altamente
dependente
de
alianças
ideológicas
e
pragmáticas
para
garantir a soberania e a segurança do país.
Do
ponto
de
vista
funcionalista,
a
diplomacia
angolana
estruturou-se
como
um
mecanismo
essencial
para
consolidar
a
independência
do
Estado,
obter
reconhecimento
internacional
e
viabilizar a estabilidade interna.
A
função
primordial
da
diplomacia
nesse
período
era
garantir
que
Angola
fosse
aceite
pela
comunidade
internacional
e,
simultaneamente,
fortalecer
a
sua
posição
política
e
militar.
O
governo do MPLA alcançou tais objectivos ao estabelecer alianças estratégicas e ao ingressar em
organizações internacionais, como a ONU e a Organização da Unidade Africana (Moreira, 2021).
A partir desse modelo, percebe-se que a diplomacia foi concebida como um instrumento de
estabilização política e económica, característica que se tornaria uma constante na política externa
angolana nas décadas seguintes.
Formação e Qualificação do Diplomata Angolano
Deve-se reconhecer que a formação de um diplomata eficaz depende, em grande medida, do
equilíbrio
entre
conhecimento
teórico
e
experiência
prática,
embora
o
contexto
angolano
apresente vários exemplos que contrariam essa visão. Não obstante, a capacitação diplomática
deve ser estruturada para atender às necessidades do Estado, formando profissionais aptos a
representar Angola nos variados palcos internacionais. Em Angola, a formação de diplomatas
envolve
a
aquisição
de
competências
em
áreas
como
negociação
internacional,
direito
diplomático, economia política global e protocolo diplomático.
Historicamente, o Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) desempenhou um papel
central nesse processo. Com a sua extinção por meio do Decreto Presidencial n.º 285/20, de 29
de
Outubro
de
2020
2
,
outras
instituições
assumiram
essa
responsabilidade,
destacando-se
a
Academia Diplomática Venâncio de Moura (ADVM)
3
e o Instituto Superior de Ciências Sociais
2
Decreto Presidencial n.º 285/20 de 29 de Outubro
3
A Academia Diplomática do Ministério das Relações Exteriores, “Academia Diplomática” foi criada através do
Decreto Presidencial n.° 5/21 de 4 Janeiro, publicado no D.R. n.º 1, 1.ª Série, de 4 de Janeiro. Inaugurada a 12 de
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Novembro de 2020, pelo Presidente da República João Manuel Gonçalves Lourenço, é um órgão do Ministério das
Relações Exteriores, dotado de personalidade jurídica e autonomia administrativa, financeira e patrimonial.
e Relações Internacionais Este decreto determinou a
descontinuidade da oferta do
curso
de
Licenciatura em Relações Internacionais até ao final do ano académico de 2024.
Vale considerar
que a formação diplomática não se limita à aquisição de conhecimentos técnicos; ela envolve
também
a internalização dos interesses nacionais e a capacidade de interpretar e responder às
dinâmicas
de
poder
internacionais.
Nesta
ordem
de
ideias,
autores
como
Le
Boterf
(1995)
destacam
que
a
competência
é
constituída
por
três
eixos:
características
pessoai
s,
formação
educacional e experiência profissional.
As características pessoais incluem o histórico de vida, os valores e as experiências individuais. A
formação académica e os cursos concluídos ao longo da vida constituem a dimensão educacional.
Por fim, as vivências práticas e os aprendizados adquiridos no ambiente de trabalho pertencem à
experiência profissional.
Ademais,
o
Oxford
Handbook
of
Modern
Diplomacy
identifica
mudanças
essenciais
na
diplomacia contemporânea, incluindo o crescente número e tipo de actores, a expansão dos
temas abordados e os diferentes níveis de envolvimento diplomático, o que exige dos diplomatas
competências para navegar em contextos complexos e multifacetados (Cooper et al., 2013). Deste
modo,
assume-se
que
a
prática
diplomática
exige
uma
formação
que
combine
teoria
e
pragmatismo,
com
foco
especial
nas
relações
bilaterais
e
multilaterais,
além
da
história
e
da
política de Angola.
Defende-se
a
ideia
de
que
a
formação
de
diplomatas
deve
ser
adaptada
prioritariamente
às
necessidades da política externa angolana, com especial atenção a sectores estratégicos como a
cooperação
Sul-Sul,
a
diplomacia
económica
e
a
gestão
de
crises
internacionais.
Assim,
a
capacitação contínua, por meio de programas de aperfeiçoamento e especialização, é essencial
para manter a competitividade dos diplomatas angolanos.
Recentemente, a ADVM (2023) lançou o programa
Diplomatas para o Futuro
, visando capacitar
quadros
para
actuarem
nos
sectores
público
e
privado,
bem
como
em
organizações
internacionais,
respondendo a um desafio cada vez mais premente face às novas dinâmicas da
geopolítica global. No curso, cuja duração é de três meses podem participar estudantes com
ensino
secundário
concluído,
com
frequência
no
ensino
superior,
formados
em
relações
inter
nacionais, Ciências Sociais, Humanas e domínios a afins.
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A
existência
de
instituições
especializadas
na
formação
diplomática
é
fundamental
para
a
modernização do aparelho do Estado e para garantir que a política externa seja conduzida de
forma profissional.
Características e Competências Essenciais para o Diplomata Angolano
A actuação internacional dos Estados no século XXI é moldada pela complexidade de um sistema
dinâmico, onde a busca pela segurança e pelo desenvolvimento exige a articulação constante de
estratégias políticas, económicas e culturais. Neste cenário, a diplomacia firma-se como o canal
primordial
para
a
condução
das
relações
externas,
demandando
um
corpo
diplomático
tecnicamente preparado e estrategicamente orientado. Por esta razão, a capacitação dos agentes
da diplomacia angolana é determinante para a consolidação do país como um actor de relevo no
plano regional e global.
A diplomacia, enquanto ferramenta central da política externa dos Estados, desempenha um
papel essencial na projecção do poder nacional e na defesa dos interesses estratégicos de um país.
Uma abordagem realista, que enfatiza a primazia dos interesses nacionais e a lógica do poder,
combinada com uma perspectiva funcionalista, que destaca a importância da cooperação e das
estruturas
institucionais,
permite
uma
análise
profunda
das
características
e
competências
essenciais
do
diplomata
angolano.
Nesta
parte
do
artigo,
centramo-nos
nas
características
e
competências do diplomata angolano, designadamente:
O diplomata angolano deve possuir um entendimento aguçado da política internacional e das
dinâmicas do poder global. Como argumenta Morgenthau (1948), a política internacional é regida
pelo princípio da "luta pelo poder" e, nesse contexto, a diplomacia é um instrumento essencial
para assegurar os interesses do Estado. A inserção de Angola nos fóruns multilaterais, como a
União Africana (UA) e a Organização das Nações Unidas (ONU), exige habilidades estratégicas
para negociar e formar alianças que maximizem os interesses nacionais.
Angola, enquanto potência regional emergente, precisa de diplomatas capacitados para actuar em
negociações complexas, seja no contexto da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
(SADC) ou no fortalecimento de laços com potências como a China, a Rússia e os Estados
Unidos da América.
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A diplomacia económica é também um pilar essencial, especialmente no tocante ao sector do
petróleo, do gás e das infra-estruturas. Conforme apontado pelo
Institute for Security Studies
(ISS,
2023),
a
diplomacia
angolana
tem
sido
orientada
para
o
pragmatismo
económico,
promovendo
parcerias
estratégicas
com
base
em
interesses
concretos,
em
detrimento
de
alinhamentos
ideológicos
rígidos.
Em
suma,
fica
patente
que
o
diplomata
angolano
deve
desenvolver continuamente as suas faculdades de negociação e de análise prospectiva.
A capacidade de comunicação eficaz é um dos pilares da diplomacia. Face ao actual contexto
mundial,
caracterizado
pelo
alcance
da
globalização,
é
imperioso
que
o
diplomata
angolano
domine línguas estrangeiras, principalmente o inglês e o francês, essenciais para a actuação em
organismos multilaterais e em negociações bilaterais. A fraca proficiência em línguas estrangeiras
representa um entrave às negociações e à actuação estratégica de Angola no plano global. Por
outro lado, o conhecimento das valências culturais do país permite criar melhores formas de
atracção de investidores e turistas, promovendo a abertura do país ao mundo.
Outrossim, conforme enfoca Nye (2004), o
soft power
de um país é fortalecido pela capacidade
de
os
seus
representantes
interagirem
com
diferentes
culturas
e
influenciarem
percepções
internacionais.
Além
disso,
um
profundo
conhecimento
das
dinâmicas
culturais
africanas
e
internacionais
permite
uma
actuação
mais
eficaz.
Assim
sendo,
Angola,
como
Estado
dotado
de
uma
rica
diversidade étnica e cultural, deve projectar continuamente uma diplomacia que compreenda e
valorize tais diferenças.
O Instituto Real de Assuntos Internacionais
4
(
Chatham House, 2023b
) destaca que a diplomacia
cultural pode ser um instrumento poderoso para reforçar a imagem de Angola no cenário global.
4
Disponível em:
https://www.chathamhouse.org/regions/africa/angola
A
credibilidade
de
um
diplomata
e,
consequentemente,
do
Estado
que
representa
está
directamente ligada à sua conduta ética, no que respeita tanto à deontologia profissional como à
ética utilitarista. Embora o realismo político de Morgenthau (1948) enfatize que os interesses
nacionais são centrais nas decisões diplomáticas — sem atribuir primazia à ética e à moral —,
Raymond
Aron
(1962)
argumenta
que
uma
diplomacia
eficaz
requer
um
equilíbrio
entre
o
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pragmatismo e os princípios normativos. Aron (1962) sugere que, embora os Estados busquem
maximizar os seus interesses,
a
consideração de valores éticos e normativos é crucial para
a
legitimidade e a eficácia das acções diplomáticas.
No quadro destas visões, é vital reconhecer que os padrões éticos da diplomacia angolana devem
evoluir continuamente, em alinhamento com as convenções internacionais e com as directrizes
do Ministério das Relações Exteriores.
Tal
como
observado
nos
relatórios
da
Transparency
International
(2023),
a
percepção
da
corrupção pode enfraquecer a eficácia da diplomacia, tornando essencial o compromisso com
boas práticas de governança. Além disso, a ética na diplomacia não apenas fortalece as relações
bilaterais, mas também influencia a percepção pública e a opinião internacional. Desta feita, deve
afirmar-se o compromisso com a profissionalização do serviço diplomático angolano, através da
valorização de quadros qualificados e comprometidos com a ética pública e com o bem-estar da
população.
A
ordem
internacional
contemporânea
caracteriza-se
pela
sua
volatilidade,
manifestada
em
desafios
como
mudanças
geopolíticas,
crises
económicas
e
ameaças
transnacionais.
Nesse
contexto, o diplomata angolano deve demonstrar elevada capacidade de adaptação. A abordagem
funcionalista
de
David
Mitrany
(1943),
na
sua
obra
A
Working
Peace
System
,
enfatiza
a
importância da cooperação institucional como resposta aos desafios globais, o que implica que a
diplomacia angolana deve engajar-se activamente em estruturas regionais e internacionais para
procurar soluções conjuntas.
O caso recente da
pandemia
de COVID-19 demonstrou a
necessidade
de os
diplomatas se
tornarem
cada
vez
mais
aptos
a
lidar
com
emergências
globais
e
a
negociar
a
cooperação
estratégica nos domínios da saúde e da segurança. Além disso, a ascensão de novas potências,
como a China, requer uma diplomacia ágil para equilibrar interesses económicos e estratégicos.
Esta adaptabilidade perante a complexidade internacional reforça a necessidade de os diplomatas
angolanos desenvolverem capacidades analíticas para a concepção de respostas pragmáticas e
eficazes.
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Como apontado por analistas do
International Crisis Group
(2023), a capacidade de adaptação é
um
factor
determinante
para
o
sucesso
diplomático,
especialmente
em
países
em
desenvolvimento que procuram consolidar a sua influência internacional
5
.
5
International Crisis Group. (2023).
Adapting Diplomacy in Developing Nations: Challenges and Opportunities
.
Disponível
em:
https://www.crisisgroup.org/pt-pt/africa/southern-africa/mozambique/303-stemming-insurrection-
mozambiques-cabo-delgado
6
O governo angolano apresentou sua estratégia de diplomacia económica em fóruns internacionais, destacando
sectores como agricultura, pecuária, pesca, indústria transformadora, recursos minerais e turismo como pilares para
alavancar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Essas iniciativas refletem o compromisso de Angola no
fortalecimento da sua presença no cenário económico global por meio de uma diplomacia proactiva e orientada para
resultados.
Disponível
em:
https://www.africadosul.mirex.gov.ao/web/noticias/angola-apresenta-estrategia-sobre-diplomacia-
economica-em-viena
A diplomacia angolana enfrenta desafios e oportunidades significativas no cenário internacional.
O realismo político indica que a maximização dos interesses nacionais deve guiar a actuação dos
diplomatas,
enquanto
a
perspectiva
funcionalista
sugere
que
a
integração
institucional
e
a
cooperação
são
essenciais
para
enfrentar
desafios
comuns.
Assim,
habilidades
políticas
e
estratégicas, conhecimento linguístico e cultural, ética profissional e flexibilidade constituem os
pilares fundamentais para o sucesso da diplomacia angolana no século XXI.
A
profissionalização
contínua
do
corpo
diplomático
angolano
é
de
vital
importância
para
fortalecer a posição do país no cenário global. Conforme ressaltado pelo
World Economic Forum
(2023), a diplomacia moderna exige um equilíbrio entre pragmatismo e valores, devendo Angola
investir na capacitação dos seus diplomatas para consolidar a sua influência regional e global.
O Diplomata Angolano no Contexto da Diplomacia Económica
Nos
mais
recentes anos,
a
diplomacia
económica
tem
se
constituído
em
uma
das
principais
variáveis da política externa angolana. Como destaca a Conferência das Nações Unidas sobre
Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, 2022), países em desenvolvimento, como é o caso de
Angola, devem procurar adoptar estratégias diplomáticas que atraiam e garantam investimentos
estrangeiros e, consequentemente, a diversificação da economia.
Neste sentido, a actuação dos diplomatas angolanos deve estar, preferencialmente, focada na
captação de investimentos e na promoção de parcerias internacionais
6
que impulsionem sectores
estratégicos como energia, mineração, agricultura e tecnologia, os quais têm se mostrado chaves
para a concretização da desejada “Diversificação da Economia”.
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Angola tem buscado atrair investidores através de reformas no ambiente de negócios promovidas
por órgãos como a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX).
Entretanto, desafios como a burocracia, a falta de infra-estrutura e a corrupção ainda dificultam a
implementação plena da diplomacia económica.
A perspectiva de North (1990), que desenvolveu
a teoria das instituições económicas, defende que o crescimento económico sustentá
vel depende
da existência de instituições eficientes e transparentes. Segundo o autor, quando existem altos
níveis
de
corrupção
e
burocracia,
os custos
de
transacção
aumentam
e
a
previsibilidade
dos
negócios diminui, desestimulando investimentos de longo p
razo. Em Angola, esses factores criam
um ambiente de negócios incerto, limitando a capacidade de os diplomatas negociarem acordos
económicos vantajosos.
De acordo com relatórios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI, 2023)
7
,
a corrupção
em Angola tem sido historicamente um dos principais entraves ao desenvolvimento
económico, apesar das recentes reformas promovidas pelo governo. O Índice de Percepção da
Corrupção, da Transparência Internacional, frequentemente coloca Angola entre os país
es com
maiores
desafios
nessa
área,
o
que
compromete
a
confiança
dos
investidores
e
dificulta
a
implementação de políticas eficazes de diplomacia económica (Jornal Expansão, 2023).
7
Em 2023, o FMI enfatizou a necessidade de Angola intensificar os esforços no fortalecimento da governança,
transparência
e
no
combate
ao
branqueamento
de
capitais,
recomendando
a
conclusão
de
uma
estratégia
anti-
corrupção abrangente. Além disso, o Banco Mundial observou que, embora reformas nos últimos cinco anos tenham
melhorado a gestão macroeconômica e a governança do sector público, a economia permanece vulnerável devido à
sua
dependência
do
petróleo
e
aos
desafios
persistentes
relacionados
à
corrupção.
Disponível
em:
https://expansao.co.ao/angola/detalhe/fmi-quer-mais-progressos-na-transparencia-e-combate-a-corrupcao-
60031.html
Paralelamente,
a
adesão
de
Angola
à
Zona
de
Livre
Comércio
Continental
Afr
icana
(AfCFTA)
representa uma oportunidade significativa para fortalecer a sua presença nos mercados regionais.
Segundo Baldwin (2016), a participação em blocos comerciais permite que os países aumentem
a sua competitividade, diversifiquem as suas exportaç
ões e melhorem a sua infraestrutura de
negócios. No caso angolano, a AfCFTA possibilita a criação de um mercado integrado de mais
de 1,3 mil milhões de pessoas, ampliando as oportunidades para a exportação de bens e serviços
não petrolíferos.
Ademais,
a
teoria
do
regionalismo
económico,
defendida
por
Viner
(1950),
sugere
que
a
integração comercial pode trazer benefícios líquidos ao desenvolvimento económico, desde que
os países adoptem políticas eficazes para evitar a simples substituição de importações externas
sem ganhos produtivos internos. Para Angola, isto significa que a diplomacia deve concentrar-se
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não apenas na redução de barreiras tarifárias, mas também no fortalecimento das cadeias de valor
regionais.
Face
a
este
cenário,
os
diplomatas
angolanos
devem
actuar
activamente
na
construção
de
estratégias que posicionem o país como um
hub
económico regional, explorando o seu potencial
energético e logístico. Segundo Krugman (1991), o sucesso de um país como
hub
económico
depende
da
sua
localização
estratégica
e
da
capacidade
de
oferecer
serviços
eficientes
de
transporte e energia. Angola possui portos estratégicos, como o de Luanda e o de Lobito, além
de um sector energético em expansão capaz de suprir a crescente procura da região.
A Inserção de Angola no Cenário Global e os Desafios Geopolíticos
É
novamente
notório
o
contínuo
esforço
de
Angola
no
cenário
global
em
consolidar
a
sua
influência através da participação em organismos internacionais como as Nações Unidas (ONU),
a União Africana (UA) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). No
entanto,
é
importante
reforçar
que,
apesar
destes
avanços,
o
país
ainda
enfrenta
desafios
significativos relacionados com
a
sua projecção externa e com
a formulação de uma política
externa mais assertiva.
Do ponto de vista do realismo político de Morgenthau (1948), Angola precisa de definir com
maior
clareza
as
suas
prioridades
geopolíticas,
equilibrando
as
suas
relações
com
grandes
potências como a China, os Estados Unidos e a Rússia. Segundo análises do Instituto Real de
Assuntos Internacionais (Chatham House, 2023), a crescente influência chinesa em África tem
moldado as escolhas estratégicas de países como Angola, especialmente nos sectores de infra-
estrutura e energia.
Além disso, o contexto geopolítico africano apresenta desafios internos, como a instabilidade em
países vizinhos e o impacto de conflitos regionais. Nesta ordem de ideias, perspectiva-se que a
presença de Angola em missões de mediação e manutenção da paz tem sido um instrumento de
soft power
para dar solidez à sua afirmação como um actor diplomático relevante ao nível do
continente.
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O Impacto das Novas Tecnologias e das Redes Sociais na Actuação Diplomática
(diplomacia digital)
A revolução digital das últimas décadas tem transformado a prática diplomática, tornando-a mais
dinâmica e acessível. Tal como aponta o Conselho Europeu de Relações Internacionais (ECFR,
2023), as redes sociais e as novas tecnologias desempenham um papel crescente na diplomacia
pública, permitindo que os Estados comuniquem directamente com a opinião pública global e
influenciem narrativas internacionais.
De igual modo, em Junho de 2023, o Conselho da União Europeia, nas suas conclusões sobre
diplomacia
digital,
destacou
a
importância
de
fortalecer
a
acção
da
UE
nos
assuntos
digitais
globais,
reconhecendo
o
papel
das
tecnologias
digitais
na
política
externa
e
de
segurança
(Conselho da União Europeia, 2023).
No
caso
angolano,
o
uso
de
plataformas
digitais
ainda
é
um
elemento
limitado
no
contexto
diplomático. A presença de Angola em redes sociais como o Twitter (X) e o LinkedIn é bastante
reduzida em comparação com outros Estados africanos, o que pode ter impactos materiais no
que toca à limitação da sua capacidade de engajamento e projecção internacional.
As inovadoras redes sociais chamam a atenção para a necessidade de Angola actualizar o seu
modus
operandi
no
campo
diplomático,
devido
à
própria
dinâmica
que
estas
tecnologias
conferem aos Estados, principalmente no que toca à sua projecção e difusão. Para modernizar a
sua diplomacia, Angola precisa de investir na capacitação dos seus diplomatas em matéria de
diplomacia
digital,
utilizando
as
novas
tecnologias
para
fortalecer
a
sua
presença
global
e
aprimorar a comunicação com parceiros estratégicos.
Um dos exemplos notórios que se pode trazer para ilustrar as valências desta tendência é o caso
do Quénia, que nos últimos anos se tem destacado no cenário africano e internacional pelo uso
estratégico das redes sociais e de outras plataformas digitais — como o Twitter, o Facebook, o
LinkedIn e o YouTube — para promover a sua política externa, o engajamento com a diáspora,
a
cooperação
internacional,
a
resposta
a
crises
diplomáticas,
bem
como
a
atracção
de
investimentos e turismo.
Conforme apontado por estudos sobre a diplomacia digital queniana, diplomatas como Monica
Juma e Raychelle Omamo utilizaram frequentemente redes sociais para diplomacia pública e
mediação regional (Oloo, 2021).
Vale destacar que a cooperação entre o Ministério das Relações
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130
Exteriores
(MIREX)
e
a
empresa
Huawei
resultou
recentemente
na
criação
de
um
parque
tecnológico em Luanda, inaugurado pelo Presidente da República de Angola
8
.
8
Disponível em:
https://www.ucm.minfin.gov.ao/cs/groups/public/documents/document/aw4z/nze0/~edisp/minfin3714408.pdf
Este
centro
foi
projectado
com
o
objectivo
de
formar
mais
de
10
mil
angolanos
até
2027,
incluindo docentes de cursos técnicos e tecnológicos, fortalecendo a infra-estrutura tecnológica e
a capacitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no país.
Afigura-se vital o aproveitamento deste parque para criar programas de treinamento destinados à
formação específica dos diplomatas angolanos no domínio das TICs, de modo a operacionalizar
de forma mais pragmática a tendência da diplomacia digital.
Perspectivas Futuras para a Diplomacia Angolana
O futuro da diplomacia angolana dependerá da sua capacidade de adaptação às mudanças globais
e
da
sua
habilidade
em
implementar
reformas
estruturais
que
fortaleçam
a
sua
actuação
internacional. A diversificação da economia, o fortalecimento das instituições e a capacitação dos
seus diplomatas são factores essenciais para consolidar a sua presença no cenário global.
O fortalecimento da diplomacia económica deve ser uma prioridade, com um foco especial na
atracção de investimentos e no estabelecimento de parcerias estratégicas. A integração regional
também deve ser explorada de maneira mais eficaz, aproveitando as oportunidades oferecidas
por organizações como a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA)
e a SADC.
Além disso, a modernização da prática diplomática, incluindo o uso de novas tecnologias e redes
sociais, será fundamental para garantir que Angola acompanhe as tendências globais e amplie a
sua capacidade de influência. Como observa o International Crisis Group (2023), a adaptação às
novas dinâmicas globais é essencial para que os países em desenvolvimento consolidem a sua
presença no cenário internacional.
Em
suma,
a
diplomacia
angolana
enfrenta
desafios
significativos,
mas
também
possui
oportunidades para expandir a sua influência e fortalecer a sua posição global. A combinação de
uma diplomacia económica eficaz, uma estratégia geopolítica bem definida e o uso inteligente das
novas tecnologias pode permitir que Angola alcance um papel mais proeminente nas relações
internacionais nas próximas décadas.
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Conclusão
A
diplomacia
angolana
tem
evoluído
significativamente
desde
a
independência
em
1975,
passando de uma política externa essencialmente defensiva e ideológica para um modelo mais
pragmático e funcionalista. Inicialmente marcada por alianças estratégicas durante a Guerra Fria
e
pela
busca
de
reconhecimento
internacional,
a
diplomacia
angolana
volta-se
hoje
para
a
diplomacia
económica,
a
inserção
regional
e
global
e
o
fortalecimento
das
instituições
diplomáticas.
Um
dos
principais
desafios
que
Angola
enfrenta
na
sua
diplomacia
é
a
necessidade
de
modernização
e
adaptação
às
novas
dinâmicas
internacionais.
A
globalização,
os
avanços
tecnológicos
e
as
mudanças
no
equilíbrio
geopolítico
exigem
que
o
país
desenvolva
uma
abordagem
mais
flexível
e
estratégica,
investindo
na
formação
dos
seus
diplomatas
e
na
capacitação em áreas como a diplomacia digital e a inteligência económica. A ausência de uma
forte presença digital na comunicação internacional e a necessidade de maior engajamento em
plataformas de influência global são factores que precisam de ser trabalhados para que Angola
amplie a sua projecção diplomática.
A
diplomacia
económica
surge
como
um
dos
principais
eixos
da
política
externa
angolana,
buscando atrair investimentos estrangeiros e promover a diversificação da economia. No entanto,
desafios como a burocracia, a corrupção e a infra-estrutura deficiente ainda comprometem o
pleno aproveitamento das oportunidades geradas
por acordos regionais como
a
AfCFTA. A
melhoria do ambiente de negócios e o fortalecimento das instituições são fundamentais para que
Angola
se
posicione
como
um
hub
económico
regional
e
aumente
a
sua
competitividade
internacional.
Além
da
economia,
a
política
externa
angolana
também
desempenha
um
papel
activo
na
estabilidade regional. A participação do país em mediações de conflitos e na SADC demonstra o
compromisso de Angola com a paz e a segurança em África. O engajamento diplomático do país
tem permitido consolidar a sua posição como um actor relevante no continente, embora ainda
existam desafios relacionados com a definição mais clara de prioridades geopolíticas e com a
diversificação de alianças estratégicas.
Outro ponto crucial para o futuro da diplomacia angolana é a incorporação das novas tecnologias
na condução das relações internacionais. A diplomacia digital e o uso das redes sociais como
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ferramentas de projecção global tornam-se indispensáveis num mundo cada vez mais conectado.
A parceria entre o MIREX e a Huawei, que resultou na criação de um parque tecnológico em
Luanda, representa um passo importante na modernização do sector. Entretanto, é necessário
que essa infra-estrutura seja utilizada também para capacitar diplomatas no uso estratégico da
tecnologia e das redes sociais para fins diplomáticos.
Desta
feita,
o
futuro
da
diplomacia
angolana
dependerá
da
sua
capacidade
de
adaptação
às
mudanças globais e da implementação de reformas estruturais que fortaleçam a sua actuação
internacional.
Portanto, a combinação de uma diplomacia económica eficaz, uma inserção geopolítica bem
definida e o uso inteligente das novas tecnologias poderá permitir que Angola alcance um papel
mais
proeminente
no
cenário
internacional
nas
próximas
décadas.
O
sucesso
da
diplomacia
angolana exigirá, assim, um equilíbrio entre pragmatismo e valores, garantindo que os interesses
nacionais sejam promovidos de forma ética, eficiente e inovadora.
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